terça-feira, 20 de outubro de 2015

DELEGADO QUE PROMOVIA "LUTAS" ENTRE PRESOS APARECE EM NOVO VIDEO, AGREDINDO DETENTOS COM " RIPADAS "

video
Vídeo


Apesar de negar a violência, delegado Daniel Trindade aparece em novo vídeo dando "ripadas" em presos na delegacia do município de Juruá (AM). Em junho deste ano, ele já havia sido denunciado após vazar vídeo em que atuava como juiz de brigas nas celas


Após a repercussão de um vídeo nas redes sociais em junho deste ano, em que o delegado Daniel Pedreiro Trindade aparece atuando como uma espécie de juiz da luta entre presos da 70ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), no município de Juruá (a 571 quilômetros de Manaus), novamente ele é identificado em outro vídeo, desta vez agredindo três presos com ripadas nas mãos e na sola dos pés.

Nas imagens ao qual A CRÍTICA teve acesso, supostamente filmada por um policial militar identificado apenas como “Felipe”, o delegado, atualmente afastado, agride com dez ripadas nas mãos um preso. Em outro vídeo, Trindade aplica as ripadas na sola dos pés no mesmo preso, que não aguentava mais apanhar nas mãos. Um outro preso, durante as agressões, pede para cessar as ‘ripadas’, porém, o delegado diz que ainda não concluiu o castigo.

As agressões são feitas dentro das celas na presença de outros presos que aguardam a ‘convocação’ na fila. Conforme a descrição do vídeo, as cenas foram gravadas no dia 17 de maio deste ano, quando Trindade não estava afastado e atuava como delegado no município de Juruá.

A transferência de Daniel Trindade da delegacia de Juruá para Carauari foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Amazonas. Mas, por telefone, ele disse que não mais reside em Juruá e que está em Carauari para assumir a função de delegado. Disse, ainda, que não promoveu agressões ao presos de Juruá, diferente do que mostra as imagens.

Entretanto, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informa que ele continua afastado de suas atribuições conforme determinação de portaria da Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública. 

Depois da divulgação do vídeo, Daniel Trindade justificou que não provoca agressões entre os presos, mas ministra aulas teóricas e práticas de jiu-jitsu e MMA ao presos, para ajudá-los no processo de ressocialização. Ainda segundo Trindade, o projeto era feito desde maio do ano passado.

O delegado, denunciado por incitar brigas entre detentos dentro da delegacia, entrou com um mandado de segurança alegando que a decisão da Polícia Civil foi ilegal. 

Mãe de vítima faz denúncia

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que o delegado Daniel Trindade também está sendo investigado pela Corregedoria da pasta pelo possível abuso sexual de cinco meninas, todas com idades entre 11 e 16 anos. O processo contra ele segue aberto.

A mãe de uma das supostas vítimas (uma adolescente de 15 anos), que preferiu não se identificar, disse que Daniel Trindade chegou a ameaçá-la por mensagens via aplicativo WhatsApp. “Cheguei a perguntar dele (delegado) se era durante as palestras nas escolas que ele escolhia as vítimas, se passando por autoridade e bom moço”, disse a mãe da vítima.


Portal a Critica - amazonas.

133 blogueiros são notificados a comparecer ao Fórum Barão do Rio Branco


A Vara de Registros Públicos e de Cartas Precatórias da Comarca de Rio Branco intimou 133 blogueiros da Capital a comparecer ao Fórum Barão do rio Branco para “regularizar a situação de ausência de matrículas”. Traduzindo: a Justiça do Acre precisa saber que o blog existe.
“É preciso regularizar a situação sob pena de estar atuando de forma clandestina”, explica o Oficial de Registro de Títulos e Documentos, Gustavo Luiz Gil. “O juiz vai avaliar caso a caso”.
O oficial pontua que é possível que o blogueiro possa ter um custo de até R$ 610,80 para manter a situação do meio de comunicação regularizada perante a Justiça. Os blogueiros têm até 30 dias para comparecer diante do juiz Marcelo Badaró Duarte.
O oficial Gustavo Gil pondera que os blogueiros que não têm regularidade na atualização da página ou mesmo aqueles que, diante da intimação judicial e da possibilidade de gastos anuais, decidam excluir a página da internet devem procurar a Justiça e informar da inatividade do blog.
Não há referência dessa exigência a blogueiros em outras regiões do país. “Eu nunca ouvi falar dessa exigência”, surpreendeu-se o jornalista Altino Machado que assina um dos blogs de maior repercussão do Acre.
“Eu não tenho interesse em manter o site. Já usei o site com fins comerciais, mas há algum tempo não atualizo a página. Essa exigência legal, para mim, não tem sentido”, afirmou o jornalista Senildo Melo, que assina um blog sobre Meio Ambiente e Turismo. “Vou exluir a página, sem dúvida”.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre rechaça a exigência e entende como uma forma de controle inaceitável. “Isso é uma fronta também ao profissional da imprensa e fere o Direito à livre expressão”, afirma o presidente do Sinjac, Victor Augusto. “A Justiça deveria, antes, ter conversado antes. É uma forma de controle, sim”.
Leia o Artigo 122, da Lei de Registros Civis (6015/73)
Art. 122. No registro civil das pessoas jurídicas serão matriculados: (Renumerado do art. 123 pela Lei nº 6.216, de 1975).
I – os jornais e demais publicações periódicas;
II – as oficinas impressoras de quaisquer natureza, pertencentes a pessoas naturais ou jurídicas;
III – as empresas de radiodifusão que mantenham serviços de notícias, reportagens, comentários, debates e entrevistas;
IV – as empresas que tenham por objeto o agenciamento de notícias.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Rebelião no Acre é movida por jovens da periferia vulneráveis às facções criminosas

Sérgio de Carvalho

Por um outro ponto de vista, todos os ataques ocorridos no Acre, com aproximadamente 10 ônibus incendiados, casas e carros civis, não sejam de todo negativos. Mesmo com todos os sinais que a sociedade já vinha recebendo -assassinatos de agentes penitenciários, pendrives com lista de agentes e policiais na mira de bandidos, vídeos ameaçadores, entre outros- todos nós dormíamos.

O radicalismo das últimas 48 horas evidenciam o que já estava nas entrelinhas. O que estava invisível torna-se próximo e ameaçador, causando comoção pública e pressão para ações de combate, o que é positivo.

Porém, o mais preocupante em um cenário destes, é perceber que o crime organizado está fazendo sua trajetória nas periferias de Rio Branco e do interior acreano, aliciando jovens em situações de risco, atuando aonde o Estado nem sempre consegue chegar.

A cultura do tráfico vai se impondo, junto com ela, a confusão entre quem é bandido e quem é herói.

Só prestar atenção na cidade, nos bairros, abrir os ouvidos. Só caminhar pelas ruas de terra e de asfalto, nas invasões e zonas periféricas, para perceber como o tal "Bonde dos 13", nome da facção que se diz ligada ao PCC e que atua em Rio Branco, é constantemente citado entre a juventude das periferias. Não como ameaça, mas com orgulho e respeito.

De como o sonho do status alcançado pelo tráfico é recorrente nesta moçada, que é retirada da invisibilidade social e reposicionada como protagonista, mesmo de que de uma história de terror.

Em geral, são negros, pobres e em vulnerabilidade social. Uma nova ética passa a ser construída - a do tráfico e tudo que o envolve. Chefes de facções começam a ser ovacionados e, cada vez mais, ganham força nas áreas em que facções começam a se desenvolver.

A continuidade deste enredo, será a guerra entre facções, pois outras também começarão a surgir. A história se repete e é só uma questão de tempo.

O que não se percebe é que para cada jovem destes assassinados ou presos, centenas de outros estão prontos para assumir seu lugar, movidos pela ambição de qualquer tipo de status, de proximidade com o "patrão", almejando a ascensão que só o tráfico parece lhes ofertar. É uma cultura perversa.

Em todas as mensagens violentas e radicais que estes jovens ligados ao tráfico, em tom ameaçador, mandam para policiais e agentes por meio de vídeos, que viralizam nas redes sociais, existe um elemento que se deve levar em consideração para uma analise mais profunda e ousada da situação.

Em todas elas, denuncia-se o abuso de autoridade. Não se justifica, mas se compreende também a sede de vingança que estes jovens de periferias, vítimas e testemunhas de ações de policiais truculentos, nutrem contra o sistema. O oprimido também quer se opressor. Facções criminosas, acabam por assumir um terrível papel de uma falsa justiça, que não passa de uma perigosa vingança.

Parte da sociedade, assombrada, acaba por legitimar o próprio horror, por exemplo, ao aclamar a volta de Hildebrando Pascoal ou repetindo à exaustão a frase: bandido bom é bandido morto.

Uma roda infinita de violência que gera violência. O perigo que se esconde é o da sociedade justificar, também, a arbitrariedade e a justiça com as próprias mãos.

Acredito que ainda há de tempo de impedir que estas facções ganhem força no Estado. O Acre é pequeno e não merecemos este câncer.

A repressão no momento é necessária. É urgente, pois estão buscando medir forças com o Estado. Não se pode tolerar um poder paralelo.

Acreditar que somente prisões desta mesma juventude pobre, índia e negra, das periferias, irá desfazer as ações criminosas, é equivocado. Como já disse, para cada jovem preso, tem centenas de outros prontos para serem recrutados.

O caminho, ao meu ver, é repensar a política contra as drogas, oferecer uma educação de qualidade, fortalecer ações culturais nos bairros e criar oportunidades que gerem renda. Mais educação, sobretudo educação.

É utópico, com certeza é. Mas, de verdade, não vejo outros caminhos.

O que vemos é a consequência do que este sistema falido e doente não para de gerar. Temos que dar os primeiros passos e entender que a atual política de guerra contra as drogas só aumenta o poder do trafico.

Entender que a educação nos moldes atuais não gera resultados. Entender que estes rapazes e moças invisíveis também tem seus sonhos, medos e buscam oportunidades.

Sem este entendimento, mas pautados apenas na repressão, que já disse ser ultra necessária no momento, não mudaremos nada.

Provável, só agravarmos o problema.


Sérgio de Carvalho é escritor e cineasta