quinta-feira, 27 de julho de 2017

Policiais militares são presos suspeitos de espancar homem que morreu dias depois no Acre

Edimilson Simão da Rocha, de 28 anos, foi detido pela PM em Acrelândia no dia 30 de junho e morreu no dia 6 deste mês. Quatro militares foram presos preventivamente.

Edimilson Simão da Rocha, de 28 anos, foi preso no dia 30 de junho e morreu no dia 6 deste mês (Foto: Arquivo da família)

Quatro policiais militares foram presos preventivamente suspeitos de espancar o serviços gerais Edimilson Simão da Rocha, de 28 anos, em Acrelândia, no interior do Acre. Rocha foi detido na cidade no dia 30 de junho e morreu no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) no dia 6 deste mês.

Ao G1, a corregedoria da PM-AC informou que uma investigação administrativa foi instaurada para acompanhar o desenrolar do caso.

O pedido de prisão foi feito pelo Ministério Público do Acre (MP-AC). De acordo o promotor Teotônio Rodrigues, após ser abordado pelos policiais, Rocha deu entrada na delegacia desmaiado. Nos dias subsequentes, ele deu entrada três vezes no hospital de Acrelândia e duas vezes no Huerb, local onde morreu. O processo corre em segredo de justiça.

“Ele não estava caminhando, nem urinando, sentia muita dor abdominal e, segundo consta em alguns prontuários, expelia sangue pela boca e nariz. Diante dos fatos, restou comprovado para o MP-AC que há fortes indicativos que ele tenha sido vítima de um crime de tortura com resultado morte. Postulamos pela prisão preventiva e o juízo deferiu”, explica.

A irmã de Rocha, que não quis ter o nome divulgado, conta que ele estava andando na rua, sob efeito de drogas, quando foi abordado pelos policiais. Ela diz que, no boletim de ocorrência, consta que ele portava uma faca e chegou a ameaçar os PMs com uma barra de ferro, mas testemunhas não confirmaram a versão.

“Ele saiu do serviço umas 17h e usou droga. Como não tinha ninguém em casa, ele saiu pela rua, mornal. Ele pulou o muro de uma igreja, a polícia estava passando e o viu daquele jeito. Eles [policiais] chegaram lá e espancaram meu irmão. A partir desse dia, a saúde foi piorando”, relata a irmã.

Sobre a prisão, a irmã considera que a família está mais tranquila. “Sabemos que não vai trazê-lo de volta, mas estamos mais tranquilos. É uma forma de ajudarmos outras pessoas que passem por isso. É preciso denunciar também. A dor não vai passar, mas estamos tranquilos. Meu irmão era pai de família”, finaliza.


G1/AC

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